terça-feira, 2 de março de 2010

RELAÇÃO CINTURA QUADRIL





A obesidade, antes considerada sinal de fartura, saúde e padrão de beleza, deixou de ser vista como uma condição desejável, diante das evidências de morbimortalidade elevada em indivíduos obesos. A urbanização e a industrialização, acompanhadas de maior disponibilidade de alimentos e menor atividade física, contribuíram para a crescente prevalência da obesidade nas populações. Além de ser fator de risco cardiovascular independente, associase a uma série de outros, a hipertensão arterial (HA), o diabetes mellitus (DM) e a resistência à insulina.
Atualmente sabe-se que é a localização abdominal da gordura (obesidade central) que se mostra mais associada a distúrbios metabólicos e risco cardiovascular. Medidas regionais de obesidade, entre as quais a circunferência da cintura ou a razão entre as circunferências da cintura e do quadril (RCQ), são capazes de fornecer estimativa da gordura abdominal, que, por sua vez, está correlacionada à quantidade de tecido adiposo visceral. Depósitos viscerais de triglicerídeos possuem turnover mais acelerado que o de outras regiões, aumentando a oferta de ácidos graxos livres no sistema porta, que estimulam a gliconeogênese e inibem a depuração hepática da insulina, contribuindo para elevar a glicemia, a insulinemia e a resistência insulínica.
Dados epidemiológicos mostram ser a RCQ fator preditivo independente para uma série de distúrbios metabólicos, havendo recomendação de que a obtenção dessa razão faça parte da rotina clínica, para, combinada ao índice de massa corporal (IMC), potencializar a capacidade preditiva de complicações cardiovasculares.
No Brasil, um estudo definiu os melhores pontos de corte para a RCQ, usando-os como preditores da hipertensão arterial. Os pesquisadores estudaram uma amostra de 3 282 indivíduos, sendo 43,1% do sexo masculino e 56,9% do sexo feminino. Os melhores pontos de corte encontrados foram 0,80 para mulheres e 0,95 para homens. Entretanto, a RCQ apresentou melhor capacidade preditiva de hipertensão arterial, o que evidencia a importância de sua utilização na discriminação de indivíduos em risco de doenças crônicas. A RCQ elevada (> 1,0 nos homens e > 0,85 nas mulheres) tem sido utilizada como medida clínica para avaliar indivíduos com acúmulo de gordura abdominal. Porém, a utilização da circunferência da cintura, apenas, tem mostrado uma boa correlação com a gordura abdominal associada com o processo saúde-doença. Para se obter as medidas das circunferências da cintura e quadril, o paciente deverá estar em posição ereta, com o abdômen relaxado, braço ao lado do corpo, com os pés unidos e seu peso igualmente sustentado pelas duas pernas.
Para a circunferência da cintura, a extremidade da última costela é primeiramente localizada e marcada com a ponta de uma caneta. A crista ilíaca é então palpada na linha média axilar e também marcada. Uma fita métrica é então posicionada horizontalmente na linha média entre a extremidade da última costela e a crista ilíaca e mantida de tal forma que permaneça na posição ao redor do abdômen sobre o nível da cicatriz umbilical, para que se proceda à leitura da circunferência, no milímetro mais próximo. O avaliado deverá respirar normalmente no momento da medida, para prevenir contração dos músculos pela respiração contida.
A circunferência do quadril é obtida com a paciente na mesma posição. A medida é tomada pelo ponto de maior circunferência sobre a região glútea, com a fita mantida em plano horizontal, sem pressionar os tecidos moles.
A razão cintura/quadril (RCQ) é estabelecida dividindo-se os valores encontrados para as referidas circunferências.
RCQ = Perímetro da cintura (cm) / Perímetro do quadril (cm)

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